Pular para o conteúdo

Um Lugar na Platéia

by em 3 de outubro de 2013

Vive La France

Na última semana de setembro tivemos um encontro aqui na Enoteca dos Mercadores de Vinhos para celebrar a França. Nosso Liceo se vestiu de azul, branco e vermelho pelas mão hábeis do nosso Maitre (e decorador eventual…) Rafael. Réplicas da Torre Eiffel se misturavam com motivos provençais e entre o cheiro de baguetes e Brioches assadas na hora por um legítimo bolanger de Boudeaux, monsieur Frederic Onraet . Para fechar a fatura, ratatoilles, terrines, brandades do Chef Leonardo do Bistrot Canellé se apresentavam ao lado de grandes vinhos do sul e sudoeste do império Gaulês.

Falar de vinho francês é, por si só, complicado. Os rótulos possuem poucas explicações sobre o vinho depositado em seu interior, se restringindo às convenções básicas e obrigatórias de identificar a região de origem e a classificação dentro da região, além do nome do produtor ou da vinícola. Saber a uva utilizada ou os possíveis cortes de uvas é, segundo os franceses, obrigação para quem pretende ingressar nesse mundo de poucos. Some a isso, a dificuldade com a pronúncia da língua pátria do Asterix e a confissão está armada.

Por sorte, meu sócio, o Sommelier Cristiano Ribeiro é, além de um grande conhecedor de vinhos franceses, um proficiente orador em francês – razão pela qual ficou a cargo dele, conduzir a degustação que totalizou meia dezena de vinhos, entre espumantes, brancos, rosés e tintos. Aplausos se seguiam a cada gole. Ao fundo o som da ítalo-francesa Carla Bruni temperava a atmosfera de glamour, surpresa e satisfação.

Talvez por conta do vinho em um dose um pouquinho acima do limite acabei me sentando na sala anexa com a TV mostrando a cena de um filme francês que já havia visto algumas vezes. Nela ocorria o diálogo entre uma jovem garçonete e um músico erudito famoso. Após tocar um trecho de um recital complexo ele pergunta à jovem se ela gostava da música. Ela responde que sim, mas que não conhece muito sobre música clássica. Ele então toca uma canção daquelas de ninar e a garota automaticamente o acompanha . Ele completa…é Mozart!!! E ela responde surpresa…eu não sabia!!!

A cena termina com o músico perguntando-se do porque sua música precisava estar nesse pedestal onde poucos podem alcançá-la e diz que perdera a vontade de tocar justamente por não conseguir chegar aos ouvidos dos que mais precisavam ouvi-lo. Aqueles que não conhecem aquela forma de arte.

Tentei então sair um pouco do teletransporte à França em que me encontrava e analisar o que ocorria. Eis que empresários, cozinheiros, advogados e juízes, bolangers e fisioterapeutas se conheciam, confraternizavam entre si e sorriam…muitos sorrisos! Sorrisos de quem havia retirado a cortina que cobria e escondia algo deliciosamente secreto. Desnudada, a cultura francesa se mostrava plena, feliz de ser compreendida por mais um dezena de pessoas… Vive la révolution!

Enzo Arns é um Sommelier com sérias dificuldades em fazer biquinho ao falar francês e que usa a máxima de Eça de Queiroz para justificar sua falta de habilidade no linguajar Napoleôneco: “Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro”.  Enzo Arns e Cristiano Ribeiro são os Mercadores de Vinhos. Caso queira saber mais sobre a França ou treinar seu sotaque escreva para coluna@mercadoresdevinhos.com.br .

Anúncios
One Comment
  1. Enzo permalink

    Republicou isso em Winefreaks.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: